Duas vaquinhas na minha rua,
perdidas, mas sem pressa alguma.
Erravam o caminho por querer,
pararam na minha frente pra me ver.
Ficaram ali, sem dizer nada,
olhar calmo, alma escancarada.
Uma avançou, passo contido,
olhar antigo, já conhecido.
Dei de ombros, deixei passar:
nem todo encontro pede explicar.
Inusitado, aprendi então:
o mundo também me olha
sem pedir permissão.
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