Círculo de Sal

Não era o rio que me afogava,

era a margem que se afastava.


Cada passo prometia chão,

mas este sempre cedia à pressão.


Havia fogo, calmo e denso,

mas o vento norte o torcia por dentro.


As mãos sabiam desenhar o espaço,

mas o gesto repetido caía em descompasso.


O abrigo tinha teto, água e pilar,

mas nunca se deixava habitar.


O tempo ia e vinha, sem avançar,

girando no ponto que fingia passar.


Então, parei.


Salguei o chão

fazendo um círculo

com entonação…

 


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