Sonhei que cavalgava um cavalo a toda velocidade. O animal era grande, de pernas grossas e tinha uma altura incomum. Eu o conduzia pela crina, cortando o campo por uma antiga estrada de pedra, no limiar da tarde. A estrada apontava para uma montanha muito alta, e eu soube que iríamos atravessar.
Foi então que senti o peso nas costas. Compreendi que carregava uma espada ancestral, que estava perdida há séculos, e agora voltaria ao lugar: o topo da montanha, onde agora estava uma árvore colossal.
Conforme me aproximava, a estrada começou a ladear um rio largo. O campo aberto cedia espaço a uma floresta densa. A própria estrada, então, cedeu seu caminho ao rio, e eu continuei a galopar sobre o leito de pedra lisa sob o fluxo da água, forte, porém não turbulento. À minha frente, surgiu um cachorro. Era meu, ele me esperava. E entendi que eu voltava para casa ocultada pela árvore gigante. Ele se pôs a frente indicando o caminho.
Ao me aproximar do topo, reduzi a velocidade. Diante de mim, pairando sobre a água, havia uma nuvem de borboletas 88, espécie que eu só vi uma vez na vida, à beira de um rio quente em Caldas Novas, quando tinha 9 anos. Fiquei tão encantado com aquele reencontro que desejei parar. Em vez disso, uma delas pousou na minha mão.
No exato instante em que alcancei o cume, o sol tocava o horizonte. Dali, tudo se revelava: na montanha, acima da paisagem, e eu sabia com clareza o curso do rio, os campos, as estradas, as cidades distantes e o oceano, que refletia um brilho intensamente azul. O sol ainda aquecia.
Vi que minha casa cercava seu tronco e parecia subir com ela, fazendo da árvore gigante o seu pilar central. Ao chegar na porta, retirei a espada das costas e inseri na maçaneta, girando como uma chave abrindo a passagem.
Dentro, havia uma grande janela em forma de olho. Era, na verdade, uma lente através da qual podia focar em qualquer ponto da montanha e observar os detalhes da complexa paisagem. Eu estava em casa. Quase não havia móveis; era aconchegante. Senti uma enorme e familiar Paz.
Então senti que alguém estava do lado de fora. Quem seria? Olhando para a paisagem, eu pensei: casa arejada, chão limpo e mesa farta, é um bom momento para compartilhar.
E acordei.
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