Depois

Passo a mão pelos ramos
como quem mede o tempo:
não é hora.

Hoje não colho o fruto.
Amanhã não o deixo cair.

Não é segurar.
É sustentar

o tempo,
como o rio que passa
sem pedir decisão.

O que fica não me segura.
O que vai não me carrega.

A árvore permanece.
À sombra dela, me sento.

Vejo a ponte, que foi travessia,
e hoje é paisagem.


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